Ao revés

Publicado o 07/14/08 ás 12:01 AM

Remata a fim de semana, chego tarde tarde pêro a Costa tira. Colho o coche rumo ao oeste com ganas de chegar, cruzando-me com o tráfico em sentido inverso caminho da Corunha.

Por fim chego a casa, listo para a uma pausa de verão.

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Atasco

Publicado o 07/3/08 ás 9:03 AM

Pepe chega tarde por mor dum atasco; caminhando por Santiago decido meter-me noutro: o das colas das rebaixas. A tenda é um caos: camisas e pantalões espalhados sem ordem por toda a tenda, senhoras e senhores em plena buying frenzy como quenlhas num cardume de sardinhas, a situação é nova para mim.

Selecciono, pode que sem muito critério como comprovo ao chegar a casa, e vou para uma cola interminável. Abro o livro “Amor y pedagogía” de Unamuno e começo a ler: o autor dá uma pequena lição para se rir dum mesmo e a longa espera já não é.

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Mar, no Rostro

Publicado o 06/30/08 ás 5:39 PM

Primeiro mergulho em anos -acompanhado de Mar, Arturo e a Ona-, com as gafas recuperadas há tempo, da embarcação do meu pai primeiro, duma das eternas caixas de mudanças depois.

Gosto dos bosques de laminarias, ir ao rente das algas, sentir toda a vida silenciosa e discreta por debaixo deste manto marrom. O corpo ignorado quando a vista fica fixa no fundo até o momento de subir para colher ar, quando os teus braços perfilam-se com nitidez contra o azul intenso do ceio visto a través da superfície do mar, o sol reflectido nos pequenos grãos de areia suspendidos no auga. A tua silhueta faz-te sentir plenamente consciente de ti mesmo. Pouco importa perguntar-se por quê deixei de fazer mergulho mas saber que fica ai, a um propósito de distância.

Colhemos e coche, caminho de Muros para seguir a pesquisa da sua casa de fim de semana perto do mar. Projectos, projectos, projectos… de volta a Corcubion decidimos fazer a última parada de praia levando as cadelas ao Rostro, já tarde.

O vento vai fresco pêro o banho é inevitável. As ondas e a luz baixa do sol combinam-se em formas dum verde intenso, o mar golpeia com consistência massajando o corpo, não sentes as mãos nem os pés pêro revitalizas-te. Todo tira de nós para ficarmos no auga durante muito tempo.

Cansos, Artur e mais eu caminhamos pola beira; Mar segue no auga -poderia ser a mulher de Posídon- e este semelha ser é o seu único nome possível. Com a pele alaranjada tingida polo solpor, saem as palavras… “em momentos assim é difícil não sorrir”… e sorrimos.

Marchamos quando o sol já é somente um reflexo numa nuvem que aboia perto do horizonte para rematar o dia com uma botelha de Alvarinho. Muitas a Mar e Artur, por dias coma este.

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São Pedro-Eurocopa 2008

Publicado o 06/30/08 ás 3:34 AM

Praia, partido, festa e verbena; e via láctea em Cabo Cee. Chegamos a casa, onde um biscoito e um colacao esperam. Já é tarde, há que ir descansar.

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Verão

Publicado o 06/27/08 ás 4:30 PM

Após uma visita rápida ao obradoiro de Nacho Porto parei no Pazo a tomar um Alvarinho bem fresco; logo o jantar, a calor, rato de livro deitado num sofa -a Rola busca o seu sitio entre as minhas pernas- onde lutam o sono e a atenção, para cair rendido finalmente ante aquele com o mar e o vento a me arrulhar.

Na rua, rapaces com gelados na mão, um banhador e chinelos como única vestimenta, bicicletas, biquinis, peles ao sol, cheiro a protector solar, areia nos pés. Começam as churrascadas, os dias de praia com as ocasionais tortilhas e filetes empanados, visitas de última hora para ver pôr-se o sol no mar outro dia mais, excursões entre fragas e pinheirais, convites e festas numa efervescência geral. E por sorte é contagioso.

Sim… com a praia de Carnota ainda nas retinas e diante do Alvarinho senti que por fim começava o verão, ainda que venha com tormentas.

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Melão com limão (e um chisco de sal)

Publicado o 06/25/08 ás 9:07 PM

Assim de simples, assim de rico. Outro sabor de verão mais para engadir à listagem.

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Assinaturas recuperadas

Publicado o 06/25/08 ás 9:08 AM

Por quê deixei de assinar os livros? desconheço a ração e somente lembro que foi em Londres, nos meus últimos meses, quando já não deixava constância de quando e onde fora mercado um livro, um espaço em branco na construção da minha biblioteca que se faz de livros e lembranças onde assinaturas, datas, lugares e dedicatórias têm tanta importância como a obra na que se estampam.

Mercava mas não lia: começava um, abandonava e colhia outro novo, num circulo sem fim. Ontem, por fim, tive a certeza de que este livro marcará um antes e um depois; de novo assinado e capaz de abstrair-me, é dum autor recomendado junto com um conselho: “calma e tranquilidade”. E semelha que funciona.

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São João

Publicado o 06/24/08 ás 10:14 AM

Paro 5 minutos no Carrumeiro e decido voltar a casa. Após um rato com Calaza baixo de novo para me atopar envolto pola brisa marinha, uma botelha de vinho, o cheiro das sardinhas asadas e os amigos. São João em Corcubión, uma vez mais.

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Ian e Nicola, de novo Borough

Publicado o 06/23/08 ás 10:25 PM

Podo percorrer o mercado com os olhos fechados: The Oysterman, Brindisa, Neil’s Yard Dairy, Monmouth Coffee Company, The Ginger Pig… e Mrs King’s Pork pies. A imponente figura de corpo de ex-jogador de rugby de Ian fica detrás do mostrador, sempre com um sorriso e uma conversa.

Há um par de dias chegou de visita a Galiza com Nicola. Quedamos em nos ver no mercado para o Nadal, vendendo de novo pork pies para as festas. Espera-me em Londres um mandil com uma coroa e o meu nome.

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O espinho

Publicado o 06/18/08 ás 10:09 AM

Quantas vezes na vida agarramos-nos com força ao espinho duma esperança, sentido o sangue correr entre os nossos dedos. Quando o talo frágil rompe abres as mãos e miras fixamente as tuas feridas para encontrares uma dor antes intuída pêro agora sentida.

Estes dias tenho na cabeça a voz de Maria Bethânia, tantas vezes companheira de viagem, que canta:

“Porque tu me chegaste
Sem me dizer que vinhas
E tuas mãos foram minhas com calma
Porque foste em minh’alma como um amanhecer
Porque foste o que tinha de ser”

Já é hora de pararmos a música, cambiar de ritmo e começar a caminhar de novo por muito que pese a maleta.

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